Conheça a poesia de Valdeci Leocádio – Coluna Poesias Escadenses

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As Águas de Janeiro

Lá em Marcos versos quinto,

Cristo pode relatar

O que ia acontecer

Perto do mundo acabar

Terremotos em vários cantos

Peste e fome a se alastrar

Toda terra revirada

Pois Cristo assim falou

Nenhuma raiz de árvore

Onde a planta germinou

Ficaria sob a terra

Com a força do Criador

O povo não tem respeito

Pela coisa natural

Destrói toda natureza

Achando que é normal

Os casarões nas encostas

Barreiras como quintal

O homem é fruto de Deus

Na força da criação

Quem crer no divino mestre

Tem o saber a razão

Seguir o que Cristo disse

É pensar na salvação

Conhecimento humano

Não supera o de Deus

Pra que tanta hipocrisia

Se o homem pensa no eu

É melhor ser realista

E dizer eu sou ateu

O povo só fala em

Deus Na hora da agonia

Pois vive na ilusão

Em todo seu dia a dia

Só pensa em carro novo

Bebedeira e orgia

Todo mundo hoje só quer

Viver na grande cidade

Mesmo que viva enfurnado

Como um preso atrás da grade

Nem mesmo o raio do sol

Pode sentir na verdade

Pousadas para turistas

No Rio de Janeiro tem

Lá na região serrana

Em lugar que não convém

Com pacotes muito caros

Vendidos a mais de cem

De certo a vista é bonita

Olhando da ribanceira

Ver-se o Cristo Redentor

Com a região praieira

As encostas ocupadas

De toda e qualquer maneira

O pobre que ali reside

É mesmo de fazer dó

Invade a terra e constrói

E não é pra ele só

Arrasta sua família

Achando ser o melhor

Ali ele vai vivendo

Com muita empolgação

Morar no Rio de Janeiro

É coisa para barão

E na região serrana

Não contem a emoção

É casa de todo jeito

Barraco até de madeira

Construída na encosta

Ou em pé de barreira

Parecendo uma maloca

Moradia à brasileira

Moradia no Brasil

Não é fácil meu irmão

Pode ser em Pernambuco

Sergipe ou no Maranhão

Rio ou em São Paulo

O estado não liga não

É por isto que o povo

Procura onde invadir

E depois que ta na terra

Não quer mais sair dali

Prefere arriscar a vida

A não ter aonde ir

Assim é que vai vivendo

Nosso povo brasileiro

Morando em palafita

Que mais parece poleiro

Com sol aperta o calor

Se vem chuva é atoleiro

Todo ano tem enchente

No Sul ou no Nordeste

Agora a coisa tá feia

Apertou o Centro Oeste

Em Minas e no Rio

Ò desmantelo da peste

Lá no Rio de Janeiro

Janeiro não foi legal

Desabaram muitos morros

Um desmantelo total

Só de ver pela TV

Dá enjôo passo mal

As famílias sucumbiram

Debaixo dos arvoredos

Misturados com a lama

Com as águas de janeiro

Descendo pelas encostas

Embolando os rochedos

Tem rua que virou rio

Das casas só os escombros

Os corpos por toda parte

E o povo procurando

Filho, marido e mulher

Que a lama saiu levando

Muitas famílias morreram

Foi grande a destruição

Ranger de dentes e fome

É esta a situação

Tudo isto está escrito

No livro da salvação

Estou vendo o apocalipse

No Brasil acontecendo

Crianças, velhos e jovens

Todos juntos padecendo

Só falta ver Jesus Cristo

Nas nuvens aparecendo

Ò Jesus de Nazaré

De nós tenha compaixão

Tantos inocentes mortos

Com esta inundação

Mais de novecentos mortos

Em uma só região

Eu sei que o homem agride

A natureza sagrada

E como por punição

A resposta é logo dada

Vindo em tremor de terra

Ou numa grande enxurrada

O povo não se contem

É grande a profanação

Enquanto temos notícias

Da grande destruição

Anuncia-se carnaval

Na mesma televisão

Foi bem no Rio de Janeiro

O foco do temporal

Tantas famílias morreram

Tanta gente passa mal

Na fedentina dos corpos

Festejam-se o carnaval

O Brasil está de luto

É completa a aflição

Apocalipse está

Em plena ebulição

Salve-nos ò Jesus Cristo

Filho do Pai da criação

Autor: Valdecí Leocádio

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